domingo, 3 de julho de 2011

DNA MODERMO HERDA MUITA INFORMAÇÃO DO DNA DE NEANDERTAL

Pesquisadores seqüenciam pela primeira vez o genoma de um parente extinto dos homens modernos e descobrem: muitos de nós temos no DNA partes de Neandertal. Uma equipe internacional de cientistas calculou que entre 1% e 4% do DNA de humanos de hoje se originaram deste hominídeo. Isso mostra que, contrário do que acreditam muitos pesquisadores, alguns Neandertais e humanos modernos cruzaram.


Seu DNA pode ter partes de Neandertal
Svante Pääbo segura crânio reconstruído de Neandertal



O homo neanderthalensis foi uma forma de hominídeo que conviveu com o homo sapiens entre 270 mil e 440 mil anos atrás e desapareceu há cerca de 30 mil anos. Ele possui o mesmo ancestral que deu origem ao homo sapiens e recebeu este nome em homenagem ao local em que o primeiro exemplar foi encontrado – o vale de Neander, na Alemanha. O time liderado por Svante Pääbo, diretor do departamento de genética evolutiva do Instituto Max Planck, da Alemanha, foi responsável pelo estudo publicado na conceituada Science. O grupo analisou quatro bilhões de pares de bases do DNA do Neandertal - um feito notável, especialmente se considerado o fato de que o genoma do homo sapiens (o homem moderno) só foi decodificado há dez anos.


Para sequenciar o genoma, os pesquisadores usaram fragmentos de DNA extraídos de ossos achados na Croácia, Rússia e Espanha, bem como material do Neandertal original encontrado na Alemanha. A maioria do DNA foi extraída de 400 gramas de pó de ossos produzido de 3 fêmeas achados na caverna Vindija, Croácia, que viveram há 38 mil anos. Todo o material corresponde a 60% do genoma do Neandertal. Sequenciar este genoma é um desafio, pois DNA tão antigo se degrada em pequenos fragmentos e sofre danos químicos. O primeiro passo foi diferenciar o material genético dos hominídeos daquele dos micróbios que viveram em seus restos nos últimos milhares de anos. Para se ter uma ideia do trabalho, 95% do DNA presente era de criaturas que não o Neandertal.



Para poder comparar melhor os achados, os pesquisadores também seqüenciaram cinco genomas de humanos de origem européia, asiática e africana. Curiosamente, eles descobriram que os humanos que descendem de ancestrais europeus e asiáticos carregam DNA de Neandertal. Isso é intrigante, já que nenhum resto de Neandertal foi achado no leste asiático. Uma explicação possível é a de que o hominídeo tenha se misturado aos humanos primitivos antes que o Homo sapiens se dividisse em diferentes grupos na Europa e Ásia. Isso pode ter acontecido no Oriente Médio, entre 100 mil e 50 mil anos atrás.




Achados arqueológicos no oriente Médio endossam essa teoria, pois mostram que Neandertais e humanos modernos conviveram nessa região. A comparação entre os dois códigos genéticos também ajudou a revelar alguns pontos exatos em que diferimos dos nossos parentes distantes. Os cientistas identificaram genes que têm papel importante na evolução humana. Por exemplo, eles acharam genes relacionados a funções cognitivas, metabolismo, ao desenvolvimento de características faciais e até da caixa torácica. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que ainda são necessários mais estudos para tirar conclusões precisas desses genes.




Alccy Marthins




VIDA SINTÉTICA - Parte 1

Dr. J. Craig Venter


Pesquisadores do J. Craig Venter Institute (JCVI) anunciaram a criação do primeiro ser vivo feito 100% de DNA sintético – produzido em laboratório. A organização de pesquisa genômica sem fins lucrativos publicou hoje os resultados que descrevem a construção da primeira célula de bactéria sintética auto-replicante – ou seja, que consegue se reproduzir.

Este feito é de enorme impacto para a ciência, uma vez que o genoma foi inteiramente projetado em um computador e trazido à vida por meio de uma síntese química sem nenhum pedaço de DNA natural. A célula sintética criada foi projetada em um computador a partir do gene da bactéria Mycoplasma mycoides. Analisando a sequência de DNA original dela, os cientistas fabricaram em laboratório uma molécula de DNA com uma sequência de bases nitrogenadas (os elementos que constituem o DNA) que corresponde à sequência original, e transplantaram toda a molécula para uma célula recipiente. Esta célula servia só como local para que esta nova molécula sintética pudesse se reproduzir.


É possível fazer uma analogia com um computador. Criar um DNA artificial é como criar um software para um sistema operacional. Transferi-lo para uma célula é como carregá-lo no hardware e rodar um programa. A pesquisa aparece hoje na Science Express e estará na próxima edição impressa da revista.



Passo a passo

Por 15 anos, a equipe de mais de 26 pesquisadores liderados pelo Dr. J. Craig Venter trabalhou no projeto. Primeiro o genoma da M. mycoides teve que ser digitalizado. Com ele em mãos, a equipe projetou 1.078 sequências específicas de DNA, cada uma com 1.080 pares de bases nitrogenadas. Elas foram projetadas de tal forma que cada um desses trechos se sobrepunha a seu vizinho com 80 pares de bases




Alccy Marthins

sábado, 2 de julho de 2011

USA AND YOUR FAMOUS 4 OF JULY IN GREAT FALLS


Getty Images
Children happy: A young girl watches a Fourth of July parade in Great Falls, Virginia.
And a new study shows she's more likely to become a Republican.



All that fireworks-watching, flag-waving and potato salad-eating this weekend could in fact lead to a vote for the Republican party for your child.  And the stats from Havard back up the claim. When children were exposed at a young age to the Americana fanfare associated with the Fourth of July, they were more likely to vote Republican and make campaign contributions to the party. Harvard researchers David Yanagizawa-Drott and Andreas Madestam found that kids who attended one rain-free July 4th celebration before the age of 18 were four percent more likely to vote Republican before the age of 40. And whether or not they went to the polls, young Independence Day revelers were more likely to identify with the right wing by 2 percent.



But does this really mean festivities associated with Independence Day have the power to sway kids to the right? The numbers are minute, but when compared to Democrats, they're meaningful. The authors, in the interest of bipartisanship, found that July 4th celebrations had no effect on increasing Democrats' numbers. The reason for the political influence stretches into the realm of ideology. The Republican Party is known to be more patriotic and focused on America's symbols, according to the study.



Children are certainly more open to the influence of this fanfare and are socialized to identify with the Republican values. This study might change the weekend plans of some parents who want to ensure their kids remain left-leaning, but if you're willing to cast aside the ideological implications for a rocking Fourth of July celebration instead, look to the red states. The study notes, "Republican adults celebrate Fourth of July more intensively in the first place."


Alccy Marthins

XUXA VIRA MODA NO FACEBOOK

Fãs da Xuxa criaram uma maneira diferente de homenageá-la em diversas partes do mundo. Em uma página criada no Facebook, Lívia Landim de 31 anos, e as amigas Melissa e Caroline publicam fotos em que imitam a pose da apresentadora no seu disco de 1986 "Xou da Xuxa" em cartões postais de países como Inglaterra, Itália e Noruega.


Disco 'Xou da Xuxa' foi lançado em 1986 (Foto: Divulgação)
Disco 'Xou da Xuxa' foi lançado em 1986
(Foto: Divulgação)
 
 


A ideia de criar a página no Facebook surgiu de outros amigos, que começaram a enviar fotos com a pose para Lívia. “Amigos começaram a tirar fotos nas viagens e a me enviar. Por isso achei legal montar uma página onde todo mundo poderia postar as fotos diretamente”. O objetivo de Lívia é reunir mil registros e depois apresentá-los para a Rainha dos Baixinhos. Um detalhe curioso ao ver a coleção de Lívia e dos amigos é que a pose feita por eles está errada, não é exatamente como a da Xuxa na capa do disco - segurando o tornozelo esquerdo com a mão direita enquanto a esquerda se apoia no quadril e com a perna direita levemente flexionada. “Quando começamos a fazer a pose, não percebemos que estava errado. Mas tudo bem. O que vale é a intenção”, brinca Lívia.
 
 
 
A pose da Xuxa sendo imitada em Paris, Berlim e em Londres (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
A pose da Xuxa sendo imitada em Paris, Berlim e em Londres
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

'Hoje vai ser uma festa' Lançado em 1986, “Xou da Xuxa” é o terceiro álbum da Rainha dos Baixinhos, o primeiro pela Som Livre e o primeiro desde que ganhou o programa da TV Globo “Xou da Xuxa”, que nesta semana completou 25 anos. Neste sábado (2), a emissora exibe um especial do "TV Xuxa" às 14h30. O LP vendeu mais de 2,6 milhões de cópias e naquele ano foi apenas o álbum mais vendido do Brasil (a frente de Roberto Carlos), mas de toda a América do Sul. Hoje ele figura entre os dez mais vendidos de todos os tempos do Brasil. Dentre os principais hits do trabalho estão o clássico das festas infantis “Parabéns da Xuxa”, “Doce mel”, “Meu cãozinho Xuxo” e “Quem quer pão?”.



Fãs fazem a 'pose da Xuxa' na Itália, Polônia e Estados Unidos (Foto: Arquivo Pessoal)
Fãs fazem a 'pose da Xuxa' na Itália, Polônia e Estados Unidos
(Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal)
A página na rede social foi criada no início de junho. Mas as fãs de Rondonópolis (MT) começaram a imitar a pose da apresentadora no disco em 1995, quando elas tinham 15 anos. “Somos amigas inseparáveis há muito tempo e sempre gostamos da Xuxa. Por isso, tivemos a ideia de fazer graça com a pose”, conta Lívia, que mora em Londres desde 2005 com Caroline.



Alccy Marthins

POLÍCIA CIVIL DO CEARÁ ENTRA EM GREVE

A greve dos policiais civis causou tumulto na manhã deste sábado (2) no 2º DP, em Fortaleza. A confusão envolveu o sindicato da categoria (Sinpoci) e o comando da corporação. Por causa da greve, o delegado geral da Polícia Civil, Luís Carlos Dantas, teve de convocar ao 2º DP dois escrivães plantonistas do 7º DP para fazer o registro de uma ocorrência, o que irritou o sindicato.

Polícia Civil aciona sindicato no 2º DP (Foto: Diana Vasconcelos / G1)
Políciais acionam visita do sindicato ao 2º DP
(Foto: Diana Vasconcelos/G1)
 
 
O sindicato se dirigiu ao 2º DP e questionou ação do comando. “Isso é assédio moral. Ele veio pressionar os colegas. Em vez de resolver a crise, ele está criando uma nova”, disse o presidente do sindicato, Ernani Leal. Segundo Leal, o delegado convocou escrivães que estavam em regime probatório e insistiu com os grevistas para que realizassem os registros de ocorrência. Mais uma greve para variar.




Alccy Marthins

HILLARY CLINTON É CONTRA AS AÇÕES DE MUAMMAR KADHAFI

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse neste sábado (2) que o ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, deveria abandonar o poder e falicitar uma transição democrática no país em guerra, em vez de fazer ameaças.








"O apoio da África à operação na Líbia é forte e segue aumentando", disse Hillary, apesar da decisão da União Africana (UA) de não executar a ordem de prisão internacional contra Kadhafi. "Em vez de ameaçar, Kadhafi deveria priorizar o bem-estar e interesse de seu próprio povo. Deveria abandonar o poder e ajudar a facilitar uma transição democrática", declarou a chefe da diplomacia dos Estados Unidos em Madri, após uma reunião com a colega espanhola Trinidad Jiménez.


Após reunião na Espanha, Hillary Clinton disse que Kadhafi deveria deixar o poder (Foto: Andrea Comas / Reuters)
Após reunião na Espanha, Hillary Clinton disse que Kadhafi deveria deixar o poder (Foto: Andrea Comas / Reuters)
Na sexta-feira, Kadhafi ameaçou levar a batalha à Europa e ao Mediterrâneo caso a Otan não abandone as operações no país. A reunião de cúpula da UA na Guiné Equatorial, no entanto, decidiu não cooperar com o cumprimento da ordem de prisão internacional emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Kadhafi, por considerar que isto complica a resolução da situação. A decisão não foi bem recebida pela diplomacia americana.



Alccy Marthins

ITAMAR FRANCO MORRE DE AVC NO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN - SP

O senador e ex-presidente da República Itamar Franco (PPS-MG) morreu aos 81 anos neste sábado (2), em São Paulo. Segundo nota divulgada pelo Hospital Albert Einstein, o presidente sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na UTI, onde estava sendo tratado de uma pneumonia decorrente de uma leucemia aguda, e morreu às 10h15 da manhã.



O corpo será transferido às 7h30 do domingo (3) para a cidade de Juiz de Fora, onde será velado na Câmara Municipal. Na segunda (4), segue para Belo Horizonte onde, por desejo do ex-presidente, o corpo será cremado, após receber homenagens no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Itamar estava internado no hospital, na capital paulista, desde o dia 21 de maio para tratar da leucemia. De acordo com os médicos, o ex-presidente reagiu bem ao tratamento, mas desenvolveu uma pneumonia grave. Por conta disso, acabou sendo transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele passou o aniversário de 81 anos, completados em 28 de junho, na UTI do hospital.


O senador e ex-presidente Itamar Franco durante discurso no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)
 
O senador e ex-presidente Itamar Franco durante
discurso no plenário do Senado (Foto: Ag. Senado)


Biografia
Itamar Franco foi presidente da República entre 1992 e 1994, depois do impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. Itamar foi também governador de Minas Gerais, senador durante 16 anos, prefeito de Juiz de Fora por dois mandatos e embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Portugal e na Itália. Como presidente, implantou o Plano Real – o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso era o ministro da Fazenda –, que estabilizou a moeda e acabou com a inflação, assinou a Lei dos Genéricos e a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), que abriu caminho para a criação de programas de transferência de renda.

A doença
Leucemia é um tipo de câncer que atinge os glóbulos brancos, parte do sistema de defesa do organismo, na medula óssea. A doença impede ou prejudica a formação de glóbulos vermelhos e brancos e de plaquetas, causando anemia e abrindo espaço para infecções e hemorragias.

O governo
Eleito vice-presidente nas eleições de 1989, Itamar Franco tomou posse em 15 de março de 1990 junto com Fernando Collor de Mello, então governador de Alagoas. A chapa foi eleita com 42% dos votos em um segundo turno disputado contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva.
 


Após denúncias de corrupção e com a popularidade fragilizada por conta da situação caótica da economia, em função dos sucessivos planos econômicos frustrados e a hiperinflação, em setembro de 1992 Collor sofreu impeachment em votação na Câmara dos Deputados. Itamar Franco, então, assumiu a presidência, aos 62 anos, primeiro interinamente, entre outubro e dezembro de 1992. Em 29 de dezembro de 1992, o político mineiro se tornou, efetivamente, presidente da República. Entre os ministros escolhidos por Itamar estava Fernando Henrique Cardoso, que acabaria por sucedê-lo na Presidência. FHC ainda foi escolhido para o Ministério da Fazenda, de onde comandou a implementação do Plano Real.


Polêmicas
Itamar Franco teve problemas em sua gestão. Em 1993, suspeitas de fraude no Orçamento derrubaram Henrique Hargreaves da Casa Civil. O ministro, inocentado, voltou ao cargo três meses depois. Outra polêmica aconteceu durante o carnaval de 1994. O então presidente foi um dos convidados de honra para assistir o desfile das escolas de samba no Rio. Itamar acabou flagrado por fotógrafos de mãos dadas com a modelo Lílian Ramos, que estava sem calcinha. As fotos e relatos repercutiram em jornais e televisões do mundo todo.

Um episódio marcante foi registrado em 23 de agosto de 1993, quando Itamar Franco desfilou por Brasília em uma versão conversível do carro popular. Com a intenção de oferecer um carro mais barato ao consumidor brasileiro, Itamar pediu ao presidente da Autolatina - consórcio das montadoras Volkswagen e Ford-, Pierre-Alain de Smedt, que voltasse a fabricar o Fusca no Brasil. O carro havia saído de linha sete anos antes.
Avião
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou neste sábado (2) que uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) irá levar senadores ao velório do senador e ex-presidente da República Itamar Franco (PPS-MG) em Juiz de Fora (MG). “Convidei todos os senadores e líderes para ir até Juiz de Fora dar o último adeus ao presidente Itamar. Partiremos por volta de 10h [de domingo]”, disse Sarney. Ainda triste com o falecimento de Itamar, a quem chamou de “grande amigo”, Sarney afirmou que irá cancelar a sessão de segunda (4) no Senado: “Vamos mandar subir a sessão e realizar uma grande homenagem ao presidente Itamar.”




Alccy Marthins

sexta-feira, 1 de julho de 2011

STRAUSS-KANH AND YOUR CONFUSIONS

Prosecutors acknowledged that there were significant credibility issues with the hotel housekeeper who accused Mr. Strauss-Kahn of trying to rape her in May. In a brief hearing at State Supreme Court in Manhattan, prosecutors did not oppose his release; the judge then freed Mr. Strauss-Kahn on his own recognizance.


The development represented a stunning reversal in a case that reshaped the French political landscape and sparked debate about morals, the treatment of women and the American justice system. Prosecutors said they still believed Mr. Strauss-Kahn had forced the woman into sex, but that inconsistencies in her past and account of the moments following the incident could make it hard for jurors to believe her.


Outside the courthouse, lawyers for Mr. Strauss-Kahn praised the Manhattan district attorney, Cyrus R. Vance Jr., for “doing what is appropriate”; Kenneth Thompson, a lawyer for the housekeeper, accused Mr. Vance of being “too afraid” of trying the case; and Mr. Vance himself held a brief news conference to defend how his office has handled the case, by far the most high-profile of his year-and-a-half tenure.


In a letter sent to Mr. Strauss-Kahn’s lawyers and filed with Justice Michael J. Obus on Friday, prosecutors outlined some of what they had discovered about Mr. Strauss-Kahn’s accuser, poking holes in her account and her background. The housekeeper admitted to prosecutors that she lied about what happened after the episode on the 28th floor of the hotel. She had initially said that after being attacked, she had waited in a hallway until Mr. Strauss-Kahn left the room; she now admits that after the episode, she cleaned a nearby room, then returned to Mr. Strauss-Kahn’s suite to clean there. Only after that did she report to her supervisor that she had been attacked.


Prosecutors disclosed that the woman had admitted lying in her application for asylum from Guinea; according to the letter, she “fabricated the statement with the assistance of a male who provided her with a cassette recording” that she memorized. She also said that her claim that she had been the victim of a gang rape in Guinea was also a lie.


The woman also acknowledged that she had misrepresented her income to qualify for her housing, and had declared a friend’s child — in addition to her own daughter — as a dependent on tax returns to increase her tax refund. Mr. Thompson, the woman’s lawyer, gave a lengthy retort outside the courtroom in which he conceded problems with her credibility, but insisted that she was still the victim of an attack, saying that her version of events has never wavered. He said some evidence, like bruising she had sustained, was consistent with a nonconsensual encounter. 


And he said her decision to clean a room was consistent with someone who was confused and upset in the wake of an attack. “Our concern is that the Manhattan district attorney is too afraid to try this case,” Mr. Thompson said. “We believe he’s afraid he’s going to lose this high-profile case.” Questions are sure to be raised about how swiftly and vigorously prosecutors proceeded with the case, as many in France questioned whether there was a rush to judgment. Mr. Strauss-Kahn, 62, was considered a strong contender for the French presidency before his arrest; he subsequently resigned his position as managing director of the International Monetary Fund. 


From Mr. Strauss-Kahn’s first court appearance on May 16, Mr. Vance’s office expressed extreme confidence in its case. At that hearing, an assistant district attorney said that “the victim provided very powerful details consistent with violent sexual assault committed by the defendant.” Outside the courthouse on Friday, Mr. Vance, who was facing his most highly publicized case to date, stressed that his office did what they were required to do.
“We believe we have done nothing but to support her,” Mr. Vance said outside the courthouse. “Our duty is to do what is right in every case. Our office’s commitment is to the truth and the facts.” 



Alccy Marthins

MAMMOGRAPHY IN THE RIGHT AGE


In women's ongoing dilemma over when to start routine mammogram screening for breast cancer, a large new, longitudinal study may add a wrinkle. The Swedish Two-County Trial, which began in the late 1970s, followed 133,000 women who were divided into two groups: half were invited to have routine mammograms for seven years and the other half received "usual care," which did not include mammograms. After 29 years of follow-up, the study's authors found that routine screening was associated with a 30% lower risk of death from breast cancer. The data suggested that one death was prevented for every 1,300 mammograms; put another way, one breast-cancer death would be prevented by screening 300 women every two to three years for 10 years.

MORE: Why mammograms are less effective among effective among breast Cancer Survirors?
In the study, women aged 40 to 49 in the screening group received a mammogram every two years; those aged 50 to 74 were screened about every three years. The findings suggest that mammograms can save lives. Of course, that fact was never in question. In 2009, when the United States Preventive Services Task Force (USPSTF) reversed its longstanding guidelines and began recommending routine breast-cancer screening for women starting at age 50, instead of age 40. The issue was not that mammograms didn't save lives. Rather, it was that before age 50, the task force found, the risks and potential harms of routine screening outweighed its potential benefits.


Mammograms can result in false-positive results, which can further lead to unnecessary tests and invasive procedures like biopsies. False positives also lead to tremendous anxiety. What's more, mammograms often pick up cancers that are so slow-growing, they would never even have been noticed in a woman's lifetime. And often by the time they catch deadly fast-growing cancers, the tumors have already spread to other parts of the body and become incurable.
In November 2009, the USPSTF recommended that most women (those without gene mutations that are associated with breast cancer or close relatives with the disease) begin getting mammograms every two years starting at age 50. At the time, the New York Times:
"Over all, the report says, the modest benefit of mammograms — reducing the breast cancer death rate by 15 percent — must be weighed against the harms. And those harms loom larger for women in their 40s, who are 60 percent more likely to experience them than women 50 and older but are less likely to have breast cancer, skewing the risk-benefit equation. The task force concluded that one cancer death is prevented for every 1,904 women age 40 to 49 who are screened for 10 years, compared with one death for every 1,339 women age 50 to 59, and one death for every 377 women age 60 to 69."
Many American women who had begun getting yearly mammograms starting at age 40 — as per the task force's previous recommendations from 2002 — were dismayed by the new rules. And other national groups including the National Cancer Institute and the American Cancer Society held firm to their previous guidelines despite the USPSTF's about-face. Both organizations still recommend routine screening every one or two years for women age 40 and older.


MORE: MRI may detect more cases of recurrent breast cancer?
But while mammograms catch many cancers, they miss up to 20% of them, according to the National Cancer Institute. And some 6% to 8% of mammograms may result in false positives. "It's not a perfect examination by any means but we have quite an accumulation of data that shows mammography is associated with a reduced risk of dying from breast cancer and the opportunity to be treated less aggressively," Robert A. Smith, director of cancer screening at the American Cancer Society, told CNN.
It's worth noting that the Swedish study's findings did not separate out women by age, so they don't shed any light on the risk-benefit ratio of screening for women in their 40s versus women in their 50s or 60s. They also don't much impact the USPSTF's 2009 recommendations.


MORE: Can breast milk predict cancer risk? 
As with many complicated health issues, it remains largely up to individual women and their doctors to decide when to begin screening.


Alccy Marthins

EMPREGADOR DEVE APRESENTAR PROVA DE QUE ABRIU MÃO DO VALE-TRANSPORTE



Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho cancelou a Orientação Jurisprudencial nº 215, que tratava de um assunto bastante polêmico na esfera trabalhista. Segundo a orientação em questão, o empregado é quem deveria comprovar a necessidade de receber de seu empregador o vale-transporte. No entanto, muitos julgadores entendiam que a precisão de receber o benefício já estava demonstrada pelo simples fato de o trabalhador ter que se deslocar para o local de prestação de serviços, o que normalmente acontece, com exceção de algumas poucas situações, como no caso do empregado a domicílio ou daquele que mora no estabelecimento empresarial.



A resolução do TST, ao suprimir a OJ 215, trouxe consequências para o mundo jurídico e, principalmente, clareou a matéria. O entendimento que prevalece agora é o de que o empregador é que terá que provar que o seu empregado dispensou o vale-transporte. O tema foi até assunto de programas de televisão em o Presidente do TRT de Minas, Eduardo Augusto Lobato, fez esclarecimento a respeito das modificações da jurisprudência do TST, incluindo o cancelamento da referida OJ. Antes, porém, dessa alteração, alguns magistrados já vinham decidindo com a convicção de que a necessidade do vale-transporte era presumida e cabia ao empregador demonstrar o contrário.



O juiz do trabalho substituto Mauro Elvas Falcão Carneiro deparou-se com a matéria na 26a Vara do Trabalho de Belo Horizonte. E, no caso específico do processo, a questão do vale-transporte repercutiu até no tipo de rescisão do contrato. Isso porque o reclamante pediu a rescisão do contrato de trabalho por culpa do empregador, sob a alegação de ter a reclamada suspendido o fornecimento do benefício, o que impediu o seu comparecimento no trabalho, após o retorno do período de afastamento em razão de acidente de trabalho. A empresa, por sua vez, sustentou que o próprio empregado dispensou o vale e anexou junto com a defesa um documento assinado por ele. Nesse contexto, a empregadora assegurou que houve abandono de emprego.



De fato, observou o magistrado, a reclamada provou que o reclamante assinou documento desistindo do fornecimento do benefício. No entanto, levando em conta o princípio da proteção, não é de se acreditar que um trabalhador que mora na cidade de Vespasiano e trabalha na Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais, localizada no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte, tenha optado pelo não recebimento do vale-transporte.



Além disso, o empregado recebia R$2,30 (dois reais e trinta centavos) por hora de prestação de serviços e havia acabado de se recuperar de um acidente de trabalho, que afetou um de seus membros inferiores. Não é razoável pensar que ele se deslocaria para o trabalho de veículo próprio ou a pé. "As máximas de experiência apontam que não, ainda mais na situação do reclamante, que pelo nível de renda e pela localização de sua moradia certamente teria que utilizar o sistema de transporte coletivo para chegar ao trabalho", enfatizou o magistrado.



O juiz realizou pesquisa no site Google Maps e constatou que a distância entre a moradia do empregado e o seu local de trabalho é de aproximadamente oito quilômetros, o que o fez chegar à conclusão de que ele não dispensou o benefício que viabilizaria a sua ida ao trabalho. "No caso em epígrafe, a empresa reclamada não se atentou que nesta especializa mais vale a realidade que emerge dos fatos do que aquela que advém dos documentos", destacou.



Para o julgador, não houve abandono de emprego. Pelo contrário, o empregado, detentor de estabilidade, em razão de acidente de trabalho, viu-se inviabilizado de comparecer para trabalhar, por ausência de meios de transporte, a partir de dezembro de 2009, quando terminou o benefício previdenciário. Na verdade, a empresa é que deixou de cumprir uma de suas obrigações contratuais, que é o fornecimento do vale-transporte, ao passo que o reclamante buscou a Justiça, em tempo hábil, pedindo a rescisão indireta do contrato. Assim, a reclamada foi condenada a retificar a data de saída anotada na Carteira de Trabalho, e a pagar ao trabalhador aviso prévio indenizado, multa de 40% do FGTS e outras parcelas indenizatórias e salariais. A empresa apresentou recurso ordinário, que foi julgado improcedente pelo Tribunal de Minas.


Alccy Martins

ENEM 2011: VÁRIAS CHANCES DE ENTRAR NA UNIVERSIDADE

Com mais de 9 mil vagas disponíveis em seus cursos de superior, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reforçou o “time” de instituições superiores que usam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de acesso à universidade (veja vídeo ao lado). O exame promovido pelo Ministério da Educação (MEC) é usado como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular. De acordo com o MEC, 83 universidades públicas e institutos federais aderiram ao SiSU como processo de seleção para o primeiro semestre deste ano. Para os cursos com abertura de vagas no meio do ano, 48 instituições confirmaram a participação. Veja abaixo de que forma algumas universidades públicas adotam o Enem.


USP (Universidade de São Paulo) – Não vai usar o Enem. Para estudar na USP é preciso fazer o vestibular da Fuvest. As provas serão dias 27 de novembro (1ª fase) e de 8 a 10 de janeiro de 2012 (2ª fase).

UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – Pela primeira vez a UFRJ vai usar 100% da nota do Enem como forma de acesso dos candidatos à universidade. A inscrição no Enem como pré-requisito já era prevista no edital do último vestibular.

UFF (Universidade Federal Fluminense) – Vai oferecer 20% das vagas para quem fizer o Enem e participar do Sisu. Os outros 80% das vagas disponíveis serão para aprovados no vestibular da universidade, dias 15 de novembro (1ª etapa) e 18 de dezembro (2ª etapa).

UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) – Vai usar o Enem como primeira fase para classificar para a segunda fase. A segunda etapa é composta pelas provas específicas e pela prova de redação do Enem. A segunda fase será de 3 a 6 de janeiro de 2012.

Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) – As notas do Enem não serão consideradas na composição da nota de primeira fase do vestibular utilizada na classificação para a segunda fase. No entanto, o candidato que fizer a segunda fase pode optar por usar a nota do Enem como complemento da nota da primeira fase no cálculo da nota final do vestibular. As provas serão dias 13 de novembro (1ª fase), e de 15 a 17 de janeiro de 2012 (2ª fase)

Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) - O Enem é o único meio de ingresso para alguns cursos ministrados na Unifesp. Outros cursos usam, além do Enem, uma prova complementar e enquadram-se assim no Sistema Misto de Ingresso. A nota final do candidato é obtida conjugando-se as notas do Enem e da Unifesp, nos termos do edital.

UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – O edital do próximo vestibular ainda não foi publicado. No último processo seletivo, o e Enem podia ser usado como parte da nota, a critério do candidato.

UFPR (Universidade Federal do Paraná) – A prova do Enem corresponderá a 10% da nota final dos vestibulandos da UFPR. Os candidatos terão de fazer o vestibular com datas em 13 de novembro (1ª fase), 11 e 12 de dezembro (2ª fase). Além das 5.087 vagas do vestibular, outras 529 serão preenchidas através do SiSU.

UFBA (Universidade Federal da Bahia) – Usa o Enem como ingresso para os cursos de bacharelado interdisciplinar: artes, ciências e tecnologia, humanidades e saúde. Para os demais cursos é preciso fazer o vestibular da universidade.

UnB (Universidade de Brasília) - Em 2010, a UnB usou o Enem apenas para preencher as vagas remanescentes do vestibular e do programa de avaliação seriada. A universidade ainda não divulgou o edital do próximo vestibular.

Outras universidades que vão usar somente o Enem como fase única:
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Universidade Federal do Pampa
Universidade Federal de Mato Grosso
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal do Rio Grande
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal do Vale do São Francisco
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Universidade Federal de Itajubá
Universidade Federal de Pelotas
Universidade Federal do ABC
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Ouro Preto
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Universidade Federal do Maranhão
Universidade Federal de Alfenas
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
Instituto Federal do Amapá
Instituto Federal do Maranhão
Instituto Federal do Piauí
Instituto Federal do Pará
Instituto Federal do Rio de Janeiro
Instituto Federal Baiano
nstituto Federal do Sertão Pernambucano
Instituto Federal do Espírito Santo
Instituto Federal Catarinense
Instituto Federal de Mato Grosso do Sul
Instituto Federal de Santa Catarina
nstituto Federal da Paraíba
Instituto Federal de Roraima
Instituto Federal do Ceará
Instituto Federal do Rio Grande do Sul
CEFET-RJ
Escola Nacional de Ciências Estatísticas
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Universidade da Integração Luso-Afro Brasileira (Unilab)
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)
Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)


Fique atento com essas informações



Alccy Marthins

CIELO E O DOPING: UMA ARMA CONTRA SI MESMO

A menos de um mês do Mundial de Xangai, o maior nome da natação brasileira foi pego no antidoping. Cesar Cielo, campeão olímpico e mundial, teve resultado adverso para a substância proibida furosemida, geralmente encontrada em diuréticos, em um exame feito no Troféu Maria Lenk, em maio. Além dele, outros três nadadores também foram flagrados: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa, o único dos quatro que não faz parte do projeto P.R.O. 16, idealizado por Cielo.


Em painel realizado nesta sexta-feira, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) levou em conta o "histórico dos atletas" e decidiu puni-los apenas com a perda dos resultados do Maria Lenk e uma advertência, alegando que eles explicaram como o diurético entrou no organismo e concluindo que não houve aumento de desempenho. O caso foi encaminhado à Federação Internacional de Natação (Fina), que tem 20 dias para aceitar ou rejeitar a decisão. Caso haja divergência, os atletas ou a Confederação podem levar a questão ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). As provas de natação no Mundial de Esportes Aquáticos, em Xangai, começam no dia 24.

Cesar Cielo fez o quarto tempo nas eliminatórias dos 100 m livre (Foto: Leandra Beijamin / Fla Imagem) 
Cesar Cielo durante o Troféu Maria Lenk, em maio,
no Rio (Foto: Leandra Beijamin / Fla Imagem)


A menos de um mês do Mundial de Xangai, o maior nome da natação brasileira foi pego no antidoping. Cesar Cielo, campeão olímpico e mundial, teve resultado adverso para a substância proibida furosemida, geralmente encontrada em diuréticos, em um exame feito no Troféu Maria Lenk, em maio. Além dele, outros três nadadores também foram flagrados: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa, o único dos quatro que não faz parte do projeto P.R.O. 16, idealizado por Cielo. Em painel realizado nesta sexta-feira, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) levou em conta o "histórico dos atletas" e decidiu puni-los apenas com a perda dos resultados do Maria Lenk e uma advertência, alegando que eles explicaram como o diurético entrou no organismo e concluindo que não houve aumento de desempenho.


O caso foi encaminhado à Federação Internacional de Natação (Fina), que tem 20 dias para aceitar ou rejeitar a decisão. Caso haja divergência, os atletas ou a Confederação podem levar a questão ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). As provas de natação no Mundial de Esportes Aquáticos, em Xangai, começam no dia 24. Em nota oficial divulgada logo após a confirmação da CBDA, Cielo se disse um "atleta exemplar" e alegou que houve contaminação na manipulação de um suplemento alimentar.


Sempre fiz uso desse suplemento e nunca um controle feito anteriormente apresentou problema. Pela segurança que tenho na utilização, creio que este resultado tenha sido um fato isolado. (...) Em nenhum momento fui imprudente ou negligente ou usei de imperícia. Não uso nenhum tipo de medicamento ou suplemento sem me certificar da segurança de sua utilização. Em qualquer lugar do mundo em que esteja, consulto sempre meu médico e meu pai, que é médico, sobre os componentes de todo medicamento ou suplemento antes de ingeri-los. Sou extremamente cuidadoso com isso e tenho a consciência tranquila de que não fiz nada para melhorar artificialmente meu desempenho - afirmou Cielo 


Veja no vídeo as seis provas finais disputadas por Cielo no Maria Lenk
A furosemida pode ser usada tanto para perda de peso como para mascarar outros dopings. A punição pode ir de advertência até dois anos de suspensão.

Entenda como funciona a substância

A furosemida, encontrada no exame antidopin do nadador Cesar Cielo, é a mesma substância que causou a suspensão de seis meses de Daiane dos Santos (ginástica) e de Daynara de Paula (natação). Cielo, Nicholas dos Santos, Henrique Barbosa e Vinícius Waked foram apenas advertidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e perderam os resultados e premiações do Troféu Maria Lenk. A substância pode ser utilizada tanto para perda de peso quanto para mascarar o consumo de outras substâncias dopantes. No meio médico, é indicada para tratar casos de hipertensão arterial. O efeito se dão rapidamente, em poucas horas.

Entre as reações adversas e efeitos colaterais estão boca seca, náuseas, vômitos, dor ou cansaço muscular, taquicardia, agitação, desidratação, redução na pressão sanguínea e aumento nos níveis de colesterol. A furosemida consta na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada) desde 2000. Faz parte da categoria S5 - diuréticos e agentes mascarantes. A punição pode ser uma simples advertência ou suspensão de até dois anos.

De acordo com a cartilha da Wada, uma substância é considerada dopante quando apresenta dois desses três critérios: aumenta artificialmente o desempenho; traz um risco para a saúde do atleta; é contrário ao princípio do esporte. O painel, presidido pelo Prof. Dr. Eduardo de Rose e também composto pela Dra. Sandra Soldan, Dr. Marcus Bernhoeft e o Dr. Cláudio Cardone, levou em conta o histórico dos atletas e o regulamento da Federação Internacional de Natação. Os quatro atletas declinaram do direito de realização da amostra B. Segundo comunicado da CBDA, os nadadores "definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, restando comprovado que não houve aumento dos seus desempenhos, fato que não ocorreu nesta competição."


Na manhã desta sexta-feira, Cielo e Nicholas Santos não foram ao treino, no Centro Olímpico do Ibirapuera, em São Paulo. Os atletas teriam alegado motivos pessoais pela ausência. No Troféu Maria Lenk, Cielo conquistou cinco ouros (50m livre, 50m borboleta e os revezamentos 4x50m livre, 4x100m livre e 4x100m medley) e uma prata (100m livre). Nicholas Santos garantiu três ouros (nas mesmas provas de revezamento que Cielo), uma prata (50m borboleta) e um bronze (50m livre). Henrique Barbosa levou um ouro (4x100m medley) e um bronze (200m peito). Vinícius Waked somou quatro bronzes (200m livre e os revezamentos 4x50m livre, 4x100m livre e 4x100m medley).


natação nicholas santos mundial de natação (Foto: Satiro Sodré / CBDA) 
Nicholas Santos, que treina com Cielo, também teve
resultado adverso (Foto: Satiro Sodré / CBDA)


Cielo é o único campeão olímpico da natação brasileira. Nos Jogos de Pequim, em 2008, o agora atleta do Flamengo venceu nos 50m livre e ainda conquistou o bronze nos 100m livre. Além das duas provas, Cielo também tinha índice para os 50m borboleta no Mundial de Xangai. Também atleta rubro-negro, Nicholas Santos tem três medalhas em mundiais (bronze nos 50m livre e prata no revezamento 4x100m livre em Indianápolis, 2004, e bronze no 4 x 100m livre, em Dubai, em 2010); foi prata nos 50m borboleta no Pan-Pacífico de Irvine, em 2010, e semifinalista nos 50m livre nas Olimpíadas de Pequim, em 2008.


Henrique Barbosa, amigo de Cielo e Nicholas, é outro destaque da equipe do Flamengo. Atleta olímpico e finalista mundial, Henrique é o atual recordista sul-americano dos 100m peito e 200m peito e do revezamento 4x100m medley. Desde o início do ano, o atleta mora e treina em Barcelona, na Espanha.
Formado em comércio exterior, Vinícius Waked ainda não tem conquistas expressivas nas piscinas em competições internacionais. Esta é a segunda vez que o nadador testa positivo no antidoping. Em fevereiro de 2010, o atleta do Minas foi suspenso por dois meses depois de ter tomado um remédio para dor de cabeça.



Alccy Marthins

quinta-feira, 30 de junho de 2011

AARON CARTER SE DIZ VÍTIMA DE MICHAEL JACKSON

O cantor Aaron Carter (Foto: Divulgação/Myspace do artista) 
 
Aaron Carter (Foto: Divulgação/Myspace do artista)


O cantor Aaron Carter, irmão do vocalista dos Backstreet Boys Nick Carter, revelou à revista australiana "OK Magazine" que Michael Jackson ofereceu para ele cocaína e vinho quando tinha apenas 15 anos. "Nunca falei sobre isso, é a primeira vez. Sinto falta de Michael, passei momentos incríveis ao seu lado. Fiz coisas com ele que ninguém sabia", revelou. "Ele me deu vinho. 


Quero dizer, eu poderia ter recusado, mas tinha 15 anos. Drogas? Ele me deu cocaína. Me sentia estranho sobre isso e outras coisas", continuou. O artista, hoje com 23 anos, afirmou à publicação que "passava horas" ao lado de Michael no telefone. "Eu o admirava muito, mas seu comportamento me chateava muito. Então foi aí que minha mãe chamou a polícia".


Alccy Marthins

OBESIDADE PODE SER UM TRANSTORNO SOCIAL

O vendedor Leonardo Rodrigues Oliveira, de 29 anos, sempre teve um sonho: de um dia poder trabalhar como bombeiro. Mas para tornar o sonho realidade ele teve de recorrer à Justiça. Leonardo foi reprovado por ter Índice de Massa Corporal (IMC) sete pontos acima do exigido no concurso, que era 28. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Com 1,78 m de altura e pesando 110 kg na época dos exames, Leonardo não se considera gordo. Mas após os exames afirma que ficou preocupado. "Fiquei com esse negócio na cabeça e por causa disso me senti gordo”, desabafa o vendedor.


Para participar do processo seletivo que saiu em 2009, Oliveira conta que deixou o emprego para se preparar. “Meu sonho é ser bombeiro. Foram três meses estudando direto e me preparando para a prova física uns cinco meses”, conta o candidato. Ele relata que passou pelos testes escrito e psicológico normalmente. O problema surgiu no exame de saúde. O vendedor conta que foram exigidos aproximadamente 20 exames a todos os candidatos, todos por conta dos inscritos, que deveriam entregar os laudos dentro de um prazo de 20 dias. “Era o dia inteiro fazendo exames. Uma correria total”, resume Oliveira. “Eles conferiram na hora o resultado dos exames e foi aí que fizeram a medição do IMC. O máximo era 28 e eu tinha 35. Eles me disseram 'você está fora'. Foi aí que o desespero tomou conta”, afirma Oliveira. O vendedor sempre foi acostumado a frequentar academias e tem grande massa muscular. Sentindo-se injustiçado, procurou um advogado e, com uma liminar obtida na Justiça, continuou no processo seletivo para provar que era capaz de atuar na profissão.

Outros testes
A etapa seguinte, segundo ele, eram os testes de preparação física. Oliveira foi avaliado em testes de barra, apoio, abdominal, natação, corrida e força. Em todos eles, de acordo com o candidato, obteve aprovação e pontuação excelentes. “Fiz 12 barras quando o mínimo era uma. Cinquenta apoios quando o mínimo era cinco”, conta. Depois de concluir e ser aprovado, aguarda o anúncio da convocação para, enfim, entrar para o Corpo de Bombeiros. Oliveira ficou em 164º lugar. Os 104 primeiros já foram chamados e se formaram bombeiros no final de 2010.  Os 87 remanascentes devem ser chamados ainda dentro do prazo de validade do concurso público.

Justiça
O advogado de Oliveira, Paulo Belarmino de Paula Júnior, explica ter entrado com mandado de segurança contra a Escola de Governo (Escolagov), órgão público responsável pela seleção. O estado chegou a recorrer e teve o recurso negado. O mandado de segurança, que permitiu que Oliveira fizesse todas as etapas do processo seletivo, será julgado pela 3ª Turma Cível. Inicialmente, a audiência estava prevista para o último dia 20 de junho, mas, a pedido do relator do processo, foi remarcada para 18 de julho. Caso a decisão seja favorável ao candidato, o estado poderá recorrer novamente. O advogado considerou inconstitucional a exclusão do candidato em função do IMC. “Esse parâmetro, na verdade, é inutilizado até mesmo pelos profissionais da saúde. Ele não mede o índice de massa corpórea”, explica o advogado.

UltrapassadoA nutricionista Andreia Gomes Martins João explica que o Índice de Massa Corporal é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Segundo ela, o resultado não aponta com precisão a existência de gordura no corpo. “O IMC não consegue distinguir o que é massa magra, massa gorda, água e tecido ósseo. Ele não é um parâmetro muito bom para ser utilizado principalmente por bombeiros, que são homens ativos, que fazem atividades físicas intensas e têm massa magra maior”, explica Martins. O cálculo da massa corporal por meio do IMC, na opinião da nutricionista, tornou-se popular por ser mais fácil, quando o método mais eficiente, chamado composição corporal, utiliza fórmulas e análise mais complexos. “A composição corporal separa todos os tipos de tecidos. È feita mediante medição de certas dobras do corpo”, resume Martins.



Alccy Marthins

sábado, 25 de junho de 2011

MARINA SILVA: QUAL SERÁ SEU DESTINO?

Marina Silva, a mulher de saúde frágil que aprendeu a ler aos 16 anos e quase virou freira, sonha em ser presidente do Brasil. Acriana do vilarejo de Breu Velho, pobre e filha de seringueiros, Marina entrou na política em 1985, aos 27 anos, por influência do ambientalista Chico Mendes, com quem fundou o PT no Estado. A militância em favor dos seringueiros a levou rapidamente à Câmara de Vereadores de Rio Branco e, em seguida, à Assembleia do Acre. Em 1994, aos 36 anos, tornou-se a senadora mais jovem da história do país. Sempre com a causa verde na ponta de sua afiada retórica, em 2003 Marina virou ministra do Meio Ambiente do governo Lula – e começou a cobiçar a Presidência da República. No PT, porém, suas chances de disputar o cargo seriam nulas.



Em nome da utopia, Marina fez uma escolha pragmática. Convidada a ser candidata à Presidência, aceitou filiar-se ao Partido Verde, o PV, uma pequena legenda identificada não apenas com a agenda ambientalista – mas também com propostas liberais, como a legalização da maconha e do aborto. Marina, que se convertera à religião evangélica em 1997, ignorou as latentes tensões entre suas convicções religiosas e as posições liberais da plataforma verde. Apesar do bom desempenho na campanha presidencial do ano passado, não deu certo. Dois anos e 19,5 milhões de votos depois, Marina decidiu: deixará o PV. O anúncio ocorrerá nesta semana.


A união entre Marina e o PV começou com promessas e terminou em desilusões. Desilusões produzidas, sobretudo, ao sabor das inevitáveis divergências de uma campanha eleitoral. Marina e o PV, especialmente por meio de seu presidente, José Luiz Penna, discordaram em quase tudo nas eleições. Aos poucos, sua campanha separou-se da estrutura do partido. Os problemas começaram na arrecadação de dinheiro. O vice da chapa, o empresário e fundador da Natura, Guilherme Leal, centralizou os trabalhos de coleta de recursos. Os tradicionais arrecadadores do PV se incomodaram com a resistência de Leal aos métodos tradicionais – e heterodoxos – de financiamento de campanhas no Brasil, do qual o partido nunca foi exceção. Um dos dirigentes do PV conta como anedota o dia em que Marina mandou devolver uma mala de dinheiro “não contabilizado”, em linguajar delubiano, ao empresário paulista que o havia enviado.


O segundo ponto de atrito entre Marina e o PV deu-se em razão da entrada de líderes evangélicos na organização política da campanha. Pastores da Assembleia de Deus, igreja de Marina, influenciavam decisivamente na elaboração da agenda da candidata. A força deles no comando da campanha não casava com o perfil histórico do PV. Se em sua plataforma e em seu discurso o PV era favorável à legalização da maconha, do aborto e do casamento gay, era uma clara incoerência que sua candidata à Presidência se colocasse contra essas posições. O PV temia perder o eleitorado urbano, moderno, descolado. As lideranças evangélicas argumentavam que isso não seria um problema e prometiam trazer 40 milhões de votos para a candidata, caso a campanha se voltasse aos eleitores evangélicos.
 
Marina quer criar um partido para concorrer novamente à Presidência nas eleições de 2014. Era tão difícil conciliar a dualidade entre os evangélicos de Marina e os liberais do PV que, até o meio da campanha, Marina cumpria duas agendas: uma política, com as tradicionais visitas a prefeitos e comícios, e outra religiosa, que incluía reuniões em igrejas com pastores. Marina sofria pressão dos evangélicos para que não visitasse terreiros de umbanda e candomblé. Na pré-campanha, ela aquiesceu. Em seguida, porém, a candidata foi convencida a gastar menos tempo com os eventos religiosos – e mais em busca de votos.


Ao longo da campanha, Marina não abdicou dos jejuns religiosos que costuma fazer pelo menos uma vez por mês. Alguns próceres do PV consideram os jejuns uma irresponsabilidade de Marina, em função de sua instável saúde – ainda jovem, ela foi contaminada por metais pesados e acometida por graves doenças, como malária e hepatite. Em entrevista a ÉPOCA, há um mês, ela se irritou diante de uma pergunta sobre esse tipo de crítica. “A minha vida espiritual é assim desde que me entendo por gente. Se um critério para ser do PV é abandonar minha vida espiritual, então já sei pelo que vou optar. Vivo a minha fé e visitar igrejas faz parte da minha fé. Sou missionária da Assembleia de Deus”, disse Marina.


O terceiro motivo para o desgaste entre Marina e o PV foi político. Apesar de ter rompido com o PT, Marina mantém uma relação ambígua com o ex-presidente Lula. Suas recusas em criticar Lula publicamente durante a campanha provocaram estremecimentos entre a candidata e Guilherme Leal. Leal é simpático ao PSDB e doou dinheiro para a campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência, em 2006. Por outro lado, Marina contrariou aliados ex-petistas quando decidiu não usar uma campanha em vídeo preparado por seu marqueteiro cujo slogan era “Marina, a verdadeira sucessora de Lula”. “A campanha era maravilhosa, impactante, contava a trajetória de vida dos dois, a proximidade deles”, diz um aliado. Marina mantém sua decisão: “Acho pretensioso, poderia parecer pretensioso (o vídeo). Eu tenho muita consciência do meu tamanho”.


O resultado da eleição confirmou que Marina é, ao menos em votos, a maior terceira via que o país já teve desde a redemocratização. Confirmou, também, que não havia lugar para Marina no PV – e no PV para Marina. “Não houve nenhuma sinalização do PV de que os compromissos com ela serão cumpridos, então não há condições de que ela permaneça filiada”, afirma João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina. Ele a acompanhará na desfiliação nesta semana, ao lado de outras lideranças do PV. A saída do partido não significa que Marina desistiu do sonho de ser presidente. Ela pretende criar um partido para se candidatar novamente, em 2014.



Alccy Marthins

LEI 12.403 ALTERA O CÓDIGO DE PROCESSO PENAL BRASILEIRO

A nova lei que regulamenta a prisão deve obrigar juízes a rever mais de 200 mil casos em todo o país. Esta é a opinião de especialistas ouvidos pelo G1 sobre as mudanças previstas na Lei 12.403, que altera o Código de Processo Penal e entram em vigor no dia 5 de julho. Para juristas, a norma pode beneficiar presos provisórios e detidos em flagrante.

A partir de agora, a prisão preventiva está proibida para crimes com penas inferiores a 4 anos, como os furtos simples, crimes de dano ao patrimônio público, entre outros, desde que o acusado não seja reincidente. A prisão em flagrante também não servirá mais para manter um suspeito atrás das grades, como hoje acontece. Além disso, os valores para fianças aumentam e serão revertidos, obrigatoriamente, em favor das vítimas de criminosos condenados.


“É uma lei que permite separar o joio do trigo, quem deve ficar preso e quem não deve”, afirma o ex-juiz e criminalista Luiz Flávio Gomes. “O Brasil é um dos últimos países a ter essa lei. Nem todo mundo tem que ir preso. Os casos vão ser analisados um a um. Se o preso é primário, a facilidade vai ser maior. Para crimes violentos, é cadeia e não tem conversa, não tem liberdade”, afirma. "Não existe isso de soltar bandido perigoso, isso não vai acontecer."


O preso provisório, aquele que ainda aguarda o fim do processo, ou seja, o que está detido mesmo sem ter sido condenado, pode requerer a revisão da prisão se o caso se enquadrar na nova lei. Segundo dados do Ministério da Justiça, até dezembro de 2010, eles representavam 44% do total do país.
 
 
Presos provisórios no país (Foto: Arte/G1)

'Triste de ver'
A norma, na opinião de juristas, deve servir para impedir prisões como a de Paula (nome fictício), detida furtando em um supermercado. Entre os objetos estavam velas, pratinhos e garfinhos de aniversário. “A filha, que fazia aniversário, não parava de perguntar pela mãe, que estava na prisão. O marido dela veio aos prantos, porque ela tinha 40 e poucos anos e era primária. A Promotoria disse que tinha visto muitos casos assim e foi contra a liberdade, alegando que era para garantir a ordem pública. Ela passou o final de semana presa. É muito tempo. Só depois a juíza soltou”, critica a defensora pública Virgínia Sanches Rodrigues Caldas Catelan, sobre um dos casos mais marcantes que atendeu.


Catelan é coordenadora da Defensoria Pública no Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais) de São Paulo. É lá onde são lavrados todos os flagrantes da capital paulista e também onde são atendidas as famílias dos presos assim que tomam conhecimento dessas prisões. “É uma rotina bem pesada. As famílias chegam nervosas, nem sabem por que o parente foi preso. A gente brinca que aqui é o pronto socorro da defensoria", diz ela. A média é de mil atendimentos por mês, e quase 2 mil flagrantes.

Crimes para os quais não haverá mais prisão preventiva
Furto simples, dano, apropriação indébita, receptação, violação de direito autoral, ato obsceno em local público, bigamia, falsidade de atestado médico, resistência à prisão, desacato, entre outros
 
 
 
Segundo Virgínia, a maioria são crimes patrimoniais e pequenos furtos. “Furtos de óleo, de pares de tênis. São casos de pessoas que estavam desempregadas. O que tem de furto de produtos de higiene... Coisas que, para o cidadão comum, que só pensa no grande ladrão, não existem. São furtos de sabonete, deixa a gente triste de ver”, afirma. "A esperança é que essa lei sirva para não mandar mais esse tipo de pessoa para as cadeias." Em outro dos casos que chegou ao Dipo, um senhor, aos seus 50 anos, ficou duas semanas preso por furto e classificado como mendigo após ter tentado abrir a porta de um carro. “Dois dias depois da prisão, o filho dele veio e contou que o pai tinha problema de saúde e desapareceu de casa e que tinha tentado abrir a porta do carro para dormir. Ele ficou muito tempo preso, mais de duas semanas, porque foi véspera de um feriado”, conta a defensora.


Há ainda os que correm perigo na prisão. Um jovem preso porque estava na mesma rua onde havia ocorrido um furto à residência precisou de atenção especial. Portador de um transtorno, o jovem insistia em afirmar que tinha uma irmã policial militar em meio aos colegas de cela. “Ele ficou com vários outros presos, mais ou menos uma semana preso. Tivemos que correr pra que ele não fosse pra um centro de detenção provisória, e sim, para outro distrito, só com parentes de policiais, sendo que ele não precisaria estar preso nenhum dia”, afirma. “Foi um pouco desesperador.”

Soltura em massa
Para o defensor público Patrick Cacicedo, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária na Defensoria Pública de São Paulo, a lei pode ajudar a diminuir a superlotação nas cadeias brasileiras. Segundo ele, a grande maioria das prisões provisórias no país é mal fundamentada.
Relação entre presos e vagas disponíveis em presídios no país (Foto: Arte/G1)


“Posso dizer categoricamente que a regra absoluta é de prisão de pessoas presumidamente inocentes. Esse número de presos provisórios no país é um verdadeiro escândalo. A prisão preventiva é banalizada no Brasil, quando ela deveria ser exceção”, critica. "O que se vê é que essa é uma lei que foi necessária diante de uma ilegalidade. A Defensoria está se preparando para fazer valer o cumprimento dessa lei”, adianta.


Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, admite que há muitos casos em que o preso acaba cumprindo uma pena muitas vezes maior do que a sentença, mas acredita que a lei não deve causar uma soltura em massa de presos. "Me assusta um pouco esse argumento de que vai ter uma soltura em massa. Pode gerar um certo pânico. Vai ser uma análise criteriosa, e não vai ter nenhum prejuízo para a sociedade. Muito pelo contrário”, afirma.


O secretário também critica quem considera que a lei trará impunidade e nega que a norma restringirá a prisão preventiva. "O objetivo central dessa lei é criar instrumentos além da prisão preventiva, para que o juiz consiga garantir a ordem pública. A prisão tem que ser aplicada em último caso. Se de fato o suspeito representa um risco, o juiz vai poder continuar determinando a prisão", afirma.

Principais mudanças trazidas pela lei:
Antes Depois
O código previa prisão ou liberdade provisória Passa a prever hipóteses de medidas cautelares além da prisão
O flagrante delito e sentenças condenatórias respaldavam a prisão (art. 282) A nova lei exige adequação das medidas à gravidade do crime e, em último caso, decretar a prisão preventiva
Presos provisórios deveriam ser separados dos definitivamente condenados (art. 300) Lei acrescenta a expressão "sempre que possível"
O juiz deveria ouvir o Ministério Público sobre uma prisão em flagrante para decidir se liberaria o detido (art. 310) Agora o juiz deve, imediatamente ao receber o auto de prisão, decidir: relaxar a prisão ilegal, converter o flagrante em preventiva, ou conceder liberdade provisória, com ou sem fiança
A prisão preventiva era cabível a todo tipo de crime doloso (art. 313) Passa a ser possível somente para crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos
Não havia medidas cautelares além da prisão Acrescenta como medida cautelar: proibição de acesso ou frequência a determinados lugares; de manter contato com pessoa determinada; de ausentar-se da Comarca; recolhimento domiciliar no período noturno quando tiver residência e trabalho fixos; suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica; internação provisória; fiança e monitoração eletrônica
Fiança é permitida em casos punidos com detenção e prisão simples, com pena superior a 2 anos, contravenções, crimes que provoquem clamor público, entre outros
Valor de 1 a 5 salários mínimos (pena até 2 anos); de 5 a 20 salários mínimos (até 4 anos); e de 20 a 100 (pena superior a 4 anos)
Prevê casos em que não é concedida fiança, como racismo, tortura, tráfico de entorpecentes, entre outros, e arbitra novos valores: de 1 a 100 salários mínimos (pena menor de 4 anos); e de 10 a 200 salários mínimos (superior a 4 anos), e leva em conta a situação econômica do preso
Fiança ficaria sujeita a ser revertida à indenização do dano se o réu for condenado (art. 336) Fiança servirá necessariamente para esse fim

“A lei só vale para crimes como furtos simples, apropriação indébita simples, réus primários, coisas realmente não relevantes, que não justificam uma prisão”, avalia Luiz Flávio Gomes. “O casal Nardoni, por exemplo, seria preso mesmo com essa lei. Não existe esse argumento.”


Monitoramento e fiança
A lei prevê nove novas maneiras de medida cautelar além da prisão. Entre elas, estão o comparecimento perante o juízo, a proibição de frequentar certos locais, proibição de manter contato com determinadas pessoas, de se ausentar de uma cidade, ter de ficar em casa durante a noite e o monitoramento eletrônico. Outro ponto positivo apontado é o pagamento de fiança, que pode chegar a cem salários mínimos (para penas inferiores a 4 anos) e 200 salários mínimos (penas superiores a 4 anos). O valor pode chegar até R$ 109 milhões. “Em crime de corrupção, pode aplicar a fiança e recuperar o dinheiro para o poder público”, diz Gomes. “A vítima, até hoje esquecida, também pode ter garantido no futuro o direito à indenização.”


O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Sydney Sanches, também considera que a nova lei não restringe as hipóteses em que a prisão é necessária. “Essa lei traz outras formas de cautelar aos juízes. Antes, eles tinham que prender ou soltar. Agora, vão poder aplicar medidas mais proporcionais em relação a esses crimes de menor potencial”, afirma. “A lei não traz impunidade, muito pelo contrário, ela flexibiliza a ação do juiz”, complementa o procurador de Justiça aposentado Antonio Scarance Fernandes, professor de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
 
 
 
O secretário do Ministério da Justiça defende ainda que haverá uma melhoria econômica e social. “Para cada acusado que não vai para a prisão, tem um ganho financeiro, porque cada preso custa hoje R$ 1.800 para o estado, e há também um ganho social, porque ele não vai mais ser jogado nos presídios, onde a chance de se tornar uma pessoa pior é muito grande.” Para a defensora pública, a nova lei não traz novidades, mas sim, deixa explícito o que já previa a Constituição Federal e deveria estar sendo respeitado. “Tenho esperança de que isso ajude nesses casos. Estamos participando de debates para traçar uma estratégia de ação. A lei tornou mais claro que a prisão cautelar é exceção, e a liberdade, é a regra.”

Desigualdades
Um dos problemas abordados por juristas, porém, é que a lei não deve diminuir a desigualdade entre ricos e pobres nas cadeias brasileiras. “Não muda o cenário. Essa lei favorece inclusive o rico, na medida em que cabe fiança muito alta. Ele paga fiança e vai embora. Por outro lado, muito pobre deixará de ir para a cadeia”, avalia o Luiz Flávio Gomes.

Para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, apenas uma lei não resolverá o problema. “É preciso fazer com que o Estado de Direito funcione. Não basta uma reforma na lei. O CNJ [Conselho Nacional de Justiça, que realiza mutirões carcerários para acelerar os processos de presos provisórios que aguardam um julgamento] encontrou casos de presos há 14 anos, provisoriamente”, afirma. “Temos múltiplas razões de demora, de retardo no processo, excesso de recurso, falta de gestão. É preciso que a Justiça Criminal dê uma resposta no tempo adequado, mas, sobretudo, é preciso uma mudança de cultura, com mais alternativas e mecanismos”, defendeu o ministro.


Alccy Marthins

quarta-feira, 22 de junho de 2011

POLICIAIS MILITARES DO CEARÁ SÃO AGRESSORES PROFISSIONAIS

Quatro policiais militares do Ceará foram afastados da corporação nesta terça-feira (21) por envolvimento na agressão de um jovem de 22 anos. O comandante da operação, um cabo e dois soldados foram flagrados, em imagens divulgadas hoje pela TV Jangadeiro –afiliada do SBT em Fortaleza–, aplicando vários golpes com um cassetete no frentista Carlos Renan da Silva.



Nas imagens, Silva estava em frente à casa de sua ex-mulher, no bairro Conjunto Palmeiras, periferia de Fortaleza e tentava ver o filho. Na época da gravação, em agosto do ano passado, o menino tinha um ano e meio. A ex-companheira não permitiu que o frentista encontrasse a criança e chamou a polícia. Os militares, então, pediram para que o rapaz se retirasse e, com a negativa, começaram a ameaçá-lo. “Tu já ouviu falar que tem cidadão que pede para apanhar da polícia? (...) Tu sai daqui quebrado. Se tu fosse vagabundo, tu já tava na peia. Mas a gente ta vendo que tu é um cidadão, aparentemente, e nós temos que resolver na maior tranquilidade”, diz um dos policiais.


Mesmo com as ameaças, o frentista permanece irredutível. Os policiais então começam a desferir golpes em Silva. Um dos policiais chega a atingir a cabeça do homem, que parece desmaiar. Três militares aparecem no vídeo. O quarto policial, de acordo com o relações públicas da PM do Ceará, tenente-coronel Fernando Albano, gravava as imagens a partir de seu celular.


Os quatro envolvidos prestaram depoimento na tarde de hoje. “Todos eles vão fazer parte de um processo administrativo disciplinar que vai ser aberto, e eles já foram afastados”, afirmou. A polícia tem 45 dias até a conclusão das investigações. O processo pode resultar na expulsão dos quatro militares.“Um episódio nessa natureza não comunga com a realidade da PM do Ceará”, alega o tenente-coronel.


A mãe do frentista agredido, Maria de Lurdes, disse que o filho não quer comentar o caso, por enquanto. Segundo ela, foi com surpresa que a família recebeu a notícia da divulgação do vídeo. “Meu filho chegou a registrar B.O (boletim de ocorrência) na época, mas não deu continuação à denúncia de agressão”, informa. A dona de casa informou que o Carlos Renan está confuso com a divulgação das imagens. “E hoje ele já pode ver o filho”, conta a mãe.


Na verdade a polícia militar tenta mascarar as suas ações perante a população, certo que quando encontra pessoas desprotegidas que não tem uma ação violência ou ação repressora de modo que policiais desses tipo, a sociedade não precisa necessitamos de pilicias competentes e coerentes com suas ações.


Alccy Marthins